Project Info
Project Description
24 de Abril, 21:30h, Largo D. Gualdim Pais
Há paredes que se erguem como promessas de abrigo.
Paredes que juram proteger do perigo. Há muros que deixamos crescer para nos elevar E há muros que deixamos crescer para nos matar Tijolos e pedras constroem barreiras que nos afastam. Mas só os Homens violam ideias que nos constroem.
Que paredes se ergueram no nosso país?
Em 1928, o general Gomes da Costa parte de Braga em direção a Lisboa, iniciando a revolução nacional que levou à implantação da ditadura militar num país a preto e branco, cansado da sua triste existência. Uma ditadura que conduziu ao Estado Novo e que, quase durante meio século, aprisionou Portugal.
Um tempo feito de vozes silenciadas à força na garganta, e de medos rasgados por dentro, ainda antes do peito os sentir. Sufoco entre a desgraça e o abismo. Entre o escuro e a escuridão. Entre a promessa e a desilusão. Um tempo feito de feridas abertas e de sangue envergonhado. Um tempo feito de opressão e silêncio, palavras por dizer, pensamentos por construir. Revoltas por soltar. Como num jogo de marionetes a ditadura veio maquinar, ao jeito do seu enredo, todo um povo e os seus sonhos e esperanças.
Dentro de 4 paredes.
Que pés seguraram o Portugal com fome de pão e medo das palavras? Esse país de gente roubada à vida, privada de pão, de ensino, de ar e de liberdade? Que mãos desenlaçaram os cordéis dessa trama?
Na verdade: Os pés acorrentados da guerra, são os mesmos pés que descalços pisam a terra, são os mesmos pés que desbravam aventuras e fronteiras. E as mãos, solitárias e mutiladas, são as mesmas mãos que entrelaçadas abraçam todo o mundo.
Este espetáculo é sobre ditadura e sobre liberdade. Sobre paredes que se erguem e paredes que se derrubam. Sobre a capacidade individual e coletiva de sonhar e fazer acontecer.
Raquel Sousa


























