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Permeável às condições exteriores, tímida no estatuto. De Santarém a Lisboa quantas vezes se soltam as palavras encerradas na palavra liberdade? …
Ah Guerreira! Persistente, ousada, bastião da revolução. Olhos de frente para o medo foste o veículo dos sonhos do Movimento das Forças Armadas. Trouxeste ao Terreiro do Paço a utopia dos oficiais, generais e capitães que rasgaram do ventre do povo a semente de Abril.
Perante a ameaça dos tanques, firme e convicta nos objetivos estabelecidos, nem um passo atrás, pequena chaimite! Em teu regaço o capitão sem medo, Salgueiro Maia, a dirigir os homens para a Revolução. Em teu regaço a esperança do fim da repressão, da PIDE, da tortura aos presos políticos, da dor numa ausência imposta pela guerra colonial.
Em teu regaço chaimite, a esperança de dar voz aos que nunca foram ouvidos. No teu colo o respirar aflito da mudança, as sedes imensas de viver. No teu colo as esperanças todas daquela madrugada. As esperanças tecidas a sangue e lágrimas, a terror e vazio…!
As esperanças de um dia que nascesse de asas brancas no imenso céu de Portugal…
Pacto com o Povo, firme no ideal. Pronta a disparar no largo do Carmo perante a hesitação dos obreiros da longa noite. Pacífica e Eficaz. Viva a liberdade! Foste o palco da vitória dos soldados, respiraste o vermelho dos cravos desse Abril, sentiste o bater dos corações descompassados.
Viva a liberdade!
Qual Quimera, Chaimite? Qual Abril não viveríamos caso não acreditássemos…? Heroína do sonho conquistado, também te desgastaste com o tempo, com a chuva que choveu, com o sol que aqueceu, com a passagem da vida, com as apreciações e depreciações… Cansada agora!
Mas, na memória, a certeza da tua conquista, real! Na história, para sempre, o registo do triunfo! Abriste o caminho aos cravos, todas as ruas se rasgaram, o céu cresceu, os rios encontraram-se com outras águas. O Poder já está na rua! As palavras são imensas! As vozes são tantas! Em nossas mãos a liberdade.
Raquel Sousa


























